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DEAMBULANDO NAS BICHAS DE MUSEU – Por Ernesto Moamba


[Conto vencedor de Premio Internacional de Prosa, Prémio Machado de Assis 2017]

Recordo que naquela manhã de sexta-feira antes de o sol nascer e as nuvens despirem-se sobre o céu, totalmente azul, meus pés paralíticos rasgavam as silenciosas ruas e avenidas em direção ao Museu para apanhar o vulgar chapa sem de praça dos combatentes via jardim, mas no momento da partida o que parecia nos miolos da cabeça e enfraquecia a minha disposição, era pensar que iria chegar a paragem suado e cheio de cansaço e sem vontade de ultrapassar sequer um ponteiro vermelho do semáforo e, para piorar meu estado de aposento, ter que entrar em guerrilha sem armas nem azagaia com os sanguessugas de smart kikas e galaxy que de dia e de noite sempre encontravam-se instalados.
Mas o que não sabia é que um deles a sorte lhe tinha afugentado, passado poucos minutos ouvia de lado de trás o clamar da viatura da PRM1 que traziam as provas de busca imediata de um dos malogrados.
O susto partiu-me quase todos os meus sentidos, visto que o tal encontrava-se escondido no traseiro esquerdo de uma senhora volumosa, que o seguia na bicha. Mas graças a Deus a polícia agiu rapidamente. Já passava das 10:30 da manhã. Lá estava bem faminto e com sede, começava a me estressar lamentavelmente porque nem sequer o TPM2 passava para me recrutar, pois ainda tinha que fazer duas ligações.
-Oh meu Deus, dizia com os olhos virados ao céu. Quando senti o aroma de uma mão a passar pelos arredores das minhas costas em direcção ao bolso da calça de uma das vizinhas na bicha...
Quando este voltou nem imaginam o que trazia, um lencinho bem sujo que o homem usava para sacudir o ranho e o suor do filho que estava bem ao lado dele, mas infelizmente sem se importar se é que o ladrão viu o seu estado sequestrava cada vez mais com clandestinidade... Até que o lencinho se soltasse do bolso do homem.
Eu assistindo todo o drama de frente nada poderia fazer além de lamentar o sucedido porque havia outro comparsa que apontava-me com a faca e silenciosamente ameaçava-me de morte. E obrigatoriamente mantinha a minha boca muda.
Novamente olhei ao relógio, já era 13:05 uma hora a mais que o almoço havia se escapado de mim, mas finalmente quando virei a cabeça para Av.24 de Julho vinha de uma alta velocidade o chapa que tanto esperava, embora de longe era possível ver e ouvir que estava velho e bem desgastado, um simples xicorocoro3 mas obrigatoriamente tinha que subir, pois já aproximava-se a hora da ponta. Lá fui com a ânsia de chegar primeiro e com os meus traseiros de tambor a ocupar o último assento, sublinho que foram poucos minutos, mas que valeram a pena.
- Ufff finalmente, estou dentro de chapa.
Dizia suspirando um ar calmo, pois tinha me livrado da gordura bicha do museu em direção a segunda ligação.
A sorte pulsava em mim, pois o cobrador comunicou que o chapa rasgava o alcatrão até terminal. Contudo, foi desta forma que sobrevivi o dia até chegar em casa.

Glossário:
1 PRM - Policia da República de Moçambique
2 TPM – Transportes Públicos de Maputo
3 Xicorocoro – Carro velho e em mau estado de conservação



BIOGRAFIA - Ernesto Moamba



Ernesto António Moamba (Ernesto Moamba), conhecido também como Filho da África, nasceu a 04 de Agosto de 1994, em Moçambique - Cidade de Maputo. Concluiu o seu nível
pré-universitário em 2014, hoje formado em contabilidade Geral Básica e Educação Financeira. Poeta e escritor moçambicano, iniciou com apresentação dos seus trabalhos literários (poesias, contos e crónicas) nas Escolas e mais tarde resolve divulga-los em redes sociais jornais e revistas culturais nacionais e estrangeiras.
A temática da sua escrita é marcada pela dor, desespero e o sofrer da sua Mãe África esquecida, um verdadeiro cântico de lamento, uma ode a África. O poeta sublinha ter participado de cinco Antologias (nacionais e internacionais) nomeadamente: " O mundo dos sonhadores, Corpo Negro, Um brinde a poesia, Desafio e Fúria de Viver, com participação de 4 países lusófonas ( Moçambique, Angola, Brasil e Portugal).
È membro fundador da AMCL-Academia Mundial de Cultura e Literatura ocupando a cadeira-21,com patrono Cruz e Souza. Representa em Moçambique o Departamento comercial do consórcio da Fundação Noemia Bonelli (Brasília). 
2016, lança e publica pela Editora do Carmo ( Brasília), livro de poesia intitulado "Liberta-te Mãe África".
2016, Dezembro, conquista o terceiro lugar no prémio internacional Buriti 2016.
-Participa como prefaciador do livro de Mahommah G. Baquaqua- escrita por um escravo africano que viveu no Brasil. E com o poema "As pegadas no passeio do vento"participa também no volume I e II das Antologias da colecção biblioteca Carmelia editado pela Editora Uirupuru.
-Recebe o diploma de membro da AMCL e certificado de participaçao do primeiro Evento.
-Colabora com os jornais Omunumental( brasil), Dw Deutsche welle "português  para África"(Alemã), jornal Noticias e O País (Moçambique).
2014-2016, Destacado com Menção Honrosa nos concursos:
-XIV Fritz Teixeira de Sales de Poesia, poema "Liberta-te África"
-XXVIII Concurso de poesia ALAP, poema "Mãe África"
-Concurso Quatro estações, poema "Liberta-te África".
2016, participa da Revista Literária intitulado "Kamba"editado e publicado em Angola.
2017, Fevereiro, conquista a Menção honrosa no 6° Concurso literário
de Itaporanga PB.
2017, Abril - Em parceria com a Escritora e editora brasileira Marleide Lins, Organiza a Antologia poética-Lusofonia & poesia com participação de Brasil e Moçambique.
-Recebe da AMCL- Academia Mundial de Cultura e Literatura o diploma de actuação académica.
2017, Abril- Participa do FLAL-Festival de literatura e Artes lliterárias ( Evento online)
- Abril, É nomeado oficialmente pela Fundação Nôemia Bonelli, Curador responsável pela folclore Luso-africana.
- Abril, Participa da 46° edição da Revista internacional Eisfluência.
- Abril, Recebe o convite para participar da FILLCAV BRASIL 2017- São Paulo.
-Abril- Participa da Antologia comemorativa dos 06 mesês da Fundação da AMCL- Acadêmia Mundial de Cultura e Literatura.
- Maio, Participa da 2° edição da Revista Literária SG Magazine 2017, Editado em Portugal.
- Maio, Vence o 3° Lugar, no IV Concurso Internacional de Prosa - Prémio Machado de Assis 2017, organizado pela Confraria Cultural Brasil-Portugal (CCBP).
- Maio, Participa da 25° Antologia "Logos", Organizado pela Fenix-Brasil, com participação de 16 países.
- Maio, Participa com os poemas "Arco-íris da poesia" e "Poema Negro" na Colectânea Internacional de poesia Colorida "Poesia a Cores" organizado pela pastelaria studio editores.
- Junho, organiza Encontros Literários com os Estudantes Pré-Universitários da Escola Secundária de Gwaza Muthine- Maputo.
É membro do grupo intercâmbio dos escritores da língua Portuguesa e Presidente do grupo Lusofonidades-Divulgando literatas lusófonas.






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